Eu não me lembro quando virei corinthiano. Dizem que corinthiano não começa a torcer pro Corinthians, já nasce assim. Pois é, eu devo ter nascido. Meu pai era corinthiano, fanático. Aprendi com ele a sofrer.
Apesar de torcer para o time de maior expressão popular, que gera mais amor, paixão e lágrimas, eu nunca fui um aficionado por futebol. Não discuto, não ligo pra quantas libertadores seu time tem ou quem é o maior campeão brasileiro.
Eu apenas torço pro Corinthians. Quero ver ele vencer sempre e me dar prazer em torcer. Mas desgosto com futebol? Nunca, eu nunca tive. Sou muito “deboa a vida” pra esquentar com isso.
Sendo assim, eu precisava viver as grandes emoções e felicidades do futebol, já que é isso que importa. A única vez na vida que fui a um estádio foi ao Couto Pereira em Curitiba quando eu tinha 10 anos. Meu irmão era atacante do Coxa e nos levou pra conhecer.
Eu nem lembro direito como foi. Sério, eu nem prestei tanta atenção assim. Então já havia passado da hora de eu ir a um jogo de futebol de verdade. A um jogo do CORINTHIANS. Eu estou morando em São Paulo e divido com meu patrão a torcida pelo mesmo time, então nada mais justo que irmos até o estádio.
Ficamos enrolando durante dois meses até que nessa quarta feira ele me acordou e disse: Saia de casa preparado. Eu achei que era alguma balada ou evento descolado. Fui com ele com o maior desânimo do mundo. Quando no meio do caminho ele me disse: “Vamos ver o Corinthians hoje”. Minha reação foi exatamente essa:

A gente comeu e partimos pro Pacaembu. Meu deus, eu estava tremendo de euforia, não podia acreditar que o grande dia havia chego! Eu iria ao PACAEMBU VER O TIMÃO, PORRA!
E chegamos nas reondezas do Pacaembu… Quando eu fui caminhando e chegando perto da praça Charles Miller… Cara… Todos os pelos do meu corpo começaram a arrepiar. Minhas pernas ficaram bambas e quando finalmente vi toda a fachada do estádio… Eu desabei.
Não chorei porque não tinha lágrima pronta. Sério, fiquei rindo igual um retardado, abri os braços e fechei os olhos. Tentei sentir toda a emoção daquilo, toda a energia. Eu estava desabando de felicidade.

Aquilo já tremia… A Fiel Torcida é coisa de outro mundo. Por alguns minutos, 34 mil pessoas se tornam uma gigante família. Todos juntos, não importa a cor ou raça. Somos todos um bando de louco.
Cheguei até o portão do estádio, passei o ingresso, comecei a subir as escadarias e pronto. Foi isso que vi:

Que visão! Que coisa linda, pulsante, incrível! Eu não sabia o que fazia, se ficava parado igual um besta olhando ou pular ao lado da torcida igual um louco do bando. E eu fiz isso. Gritei VAI CORINTHIANS, cantei todas as músicas, xinguei a torcida rival de todos os nomes possíveis, eu ri, eu fiquei feliz, eu estava praticamente tendo um orgasmo.
Foi quando os jogadores entrarem em campo… Meu… O que é isso? O que é essa torcida? Não existe nada igual. Nada mesmo, me desculpe pra qual time você torce, mas NADA SE COMPARA A GAVIÕES DA FIEL. Nada.
De repente, quando eu achei que tinha vivido todas as sensações da minha vida até ali, sinto um vento e um som forte se aproximando… ERA O BANDEIRÃO! Porra, quando aquilo encobriu todo o TOBOGÃ eu entrei em euforia. Comecei a gritar e pular o dobro do que eu já tinha pulado e gritado.
Que momento único, momento mágico! Comecei a me lembrar de tantas alegrias que já tive vendo o Corinthians jogando nesse estádio pela TV. Lembrei do meu pai. Lembrei muito do meu pai.
O jogo acabou. Nós perdemos. Não faz mal, aqui é Corinthians. Então a ficha caiu de tudo o que eu vivi naquelas horas… Que nada até então vivido por mim até hoje foi comparável aquilo. Nada.
É por momentos como esses que eu agradeço por estar vivo. Obrigado Corinthians, obrigado por esses momentos! E lembre-se: NÃO PARA DE LUTAR! NÃO PARA! NÃO PARA! NÃO PARA!
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