Eu sempre fui um sujeito bairrista. Pra mim, tirando minha querida Salto do Itararé, nenhuma cidade do mundo era boa o bastante para passar mais de um fim de semana respirando seu ar.
Bastava eu ficar mais de uma semana sem visitar minha querida e pequena cidade que algo começava a me sufocar. Eu precisava visitar minha casa. Eu precisava ir pra Salto do Itararé.
Meu amor por esse lugar (e a total falta dele por outras cidades) me preocupava caso algum dia eu tivesse que passar longos períodos longe dela. Pois bem, esse dia estava perto e eu começa a soar frio. Em abril quando recebi a proposta pra vir trabalhar em São Paulo pensei: “Meu deus, essa cidade violenta, poluída, cheia de gente estranha, jamais vou gostar”. E adivinha o que aconteceu?
Antes de aceitar a proposta, resolvi fazer uma visita a Floresta de Concreto e Aço, para ver se ela era tão malvada assim. Lembro como se fosse quando desembarquei na Rodoviária da Barra Funda, olhei zilhões de prédios ao meu redor, respirei fundo e pensei: “Meu deus… Isso aqui é fantástico!”.
Exatamente. Meus olhos brilharam com essa cidade cinza. Eu fiquei maravilhado, tanto que minha viagem de apenas dois dias se estendeu a 4 (nossa, grande “estendimento”). Voltei ao interior, mas já contando nos dedos quando eu voltaria.
E eu voltei.
Essa semana fazem dois meses que estou habitando essa metrópole. E confesso: Eu amo São Paulo. Amo mesmo. Os paulistanos vão xiar dizendo: “Ih, mais um que veio tentar a vida em São Paulo, mais um que veio fazer volume no metrô”. Mas me desculpem, a cidade de vocês é, deveras, apaixonante.
São Paulo é incrível, é mágica. Alguns vão dizer “Você não pegou metrô lotado ainda”. Já peguei e continuo amando. “Você não pegou trânsito”. Já peguei e continuo amando. “Você não foi assaltado ainda”. Não mesmo, e espero não fazer parte das estatísticas. Mas só pra constar: Na antiga cidade que eu morava, em menos de um mês, três pessoas foram assaltadas na minha rua. E lá a população é de apenas 30 mil habitantes.
Ou seja: Violência não é desculpa.
São Paulo tem seus problemas como toda cidade grande, mas eu sinceramente, não estou afim de focar meu olhar para eles. Eu quero o que tem de bom aqui. A vida agitada, as oportunidades, as pessoas, os novos amigos, aquela sensação de poder comer comida japonesa quando eu quiser, enfim, São Paulo é linda. Eu amo São Paulo e espero viver aqui muitos, mas muitos anos.
Obs.: A Paulista é mais linda que qualquer praia do Rio de Janeiro. Lidem com isso.
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