Um dia o sonho acaba… Um dia tudo acaba

Eu me lembro bem dos meus 13 anos, na época dois ou três amigos com uma situação financeira melhor que a minha compravam suas JOGS (sei lá como se escreve) e desfilavam pelas ruas de Salto do Itararé.

Eles eram deuses e sério, como eu sentia inveja daquilo. É claro que minha mãe recentemente viúva tinha coisas mais importantes pra se preocupar do que me dar uma motinha de presente, mas eu prometi a mim mesmo que um dia eu compraria minha própria moto.

Bem, o tempo passou e eu consegui um emprego. Na verdade eram dois. Foi aí que eu percebi que estava na hora de realizar um sonho antigo. Pois bem, eu era um brasileiro assalariado e pude aproveitar a maravilha do financiamento e comprar minha primeira moto.

Lembro-me como se fosse hoje daquela noite de 17 de junho de 2007 (sim, eu lembro até o dia exato) quando cheguei em casa e ela estava lá… Uma CG 125… Linda, preta… Minha. MINHA MOTO!

Eu era feliz com ela. Muito feliz. Cai alguns tombos, mas nada que ofuscasse o brilho dos meus olhos quando eu atravessava os longos 1,5kms de Salto do Itararé em 1 ou 2 minutos. Ah, eram dias mágicos. 

Mas, como todo motoqueiro, a sede por uma moto maior aumentou. Quando mudei de emprego e passei a ganhar alguns trocados com a tal da internet, achei que estava na hora de evoluir e realizar um sonho maior e até então inimaginável: Ter uma 300 cilindradas. 

Contas aqui e ali, pronto: Eu ia realizar esse sonho. Chorando levei minha 125 (Black Fan como eu a chamava) até o revendedor e a deixei lá, agora ela que seja a primeira moto de outra pessoa e a faça feliz como me fez.

Dois dias depois chegava a minha XRE 300 vermelha. Linda, imponente, perfeita. A cada troca de marcha eu lembrava de 10 anos atrás e me emocionava… Agora eu tenho tudo o que sempre quis! Eu tenho uma moto foda!

Mas um outro grande sonho batia em minha porta: O sonho de trabalhar com o que gosto e me tornar um blogueiro em tempo integral. Chegou a hora de vir a São Paulo. Deus (ele não existe, ok? É só uma expressão) sabe o quanto foi difícil deixar pra trás minha moto e vir pra cá… Mas nem tudo são flores, algum esforço é necessário.

Aí que entra o ponto chave do texto…

Minha mãe sempre sonhou em ter um carro próprio e não precisar mais mendigar carona caso precisasse sair pra fora. Pois bem, a moto estava lá, eu aqui e ela vale dinheiro…

Chegou a hora de fazer algo pra minha mãe, a única pessoa nesse mundo que realmente merece algum esforço meu. Então… Eu resolvi dar a minha moto a ela, e nessa terça feira próxima ela será vendida para dar entrada em um carro pra minha mãe.

É complicado você ver um sonho se esfarelando, mas é um sonho que não posso mais manter… Foi ótimo enquanto durou, mas a minha vida de motoqueiro chegou ao fim, como tudo um dia chegará.

A felicidade da minha mãe em primeiro lugar. Sempre.

Obrigado XRE! Obrigado CG! Obrigado pelos anos de companherismo! Obrigado por terem me ensinado o que é liberdade! Obrigado, saibam que é com lágrimas nos olhos que escrevo isso. Vou lembrar de vocês duas pra sempre, eternamente.

Obrigado… Obrigado…

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